quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vale Tudo - Tim Maia



Nelson Motta não poderia ter escolhido nome melhor para a biografia de Tim Maia. Vale Tudo. Tudo na vida de Tim valia tudo como ele mesmo dizia: "Tudo é tudo e nada é nada". Tim era o caçula de 12 irmãos, nasceu na Tijuca. Apaixonado pelas músicas que escutava no rádio, Tim montou sua primeira banda, os Sputniks, que contava com Erasmo Carlos na formação. Não durou muito e Tim foi para os Estados Unidos, com apenas 16 anos, 12 dólares e um monte de mentira contada aos parentes e amigos. Foi lá que ele começou a usar drogas e beber. Sem grana, fazia pequenos furtos, em um desses, foi pego e deportado para o Brasil. E foi no Rio e em São Paulo que sua carreira teve altos e baixos. Tim em uma semana fazia muito sucesso, no outro perdia toda a grana que conseguia.

Gravou discos extraordinários, fez parcerias que deram super certo. Músicas que atravessam gerações. Mandava e desmandava em todo mundo, até em policiais. Teve um filho e assumiu a paternidade de outro.
Tinha má fama, faltava aos shows, berrava e discutia com todo mundo. Se algo no contrato ou show não tivesse de acordo com o que ele queria, era briga na certa.

Em 55 anos de vida, acumulou processos, dívidas, muitos inimigos e muitos amigos também. Adorava animais e a vida desregrada com muitas prostitutas, cocaína, maconha e muita, muita bebida alcoólica. Mas Tim viveu intensamente, de seu jeito. Quem dera eu ter nascido um pouco antes e presenciado um show dele, com aquele vozeirão arrepiante. Apesar de sua grosseria e diversas vezes, a falta de profissionalismo, muita gente queria contratá-lo. Em contrapartida, Tim era muito generoso, se achava que alguém tinha trabalhado melhor, pagava mais. Ajudava crianças com alimentos e roupas no Natal, aniversário, etc. Era um ogro literalmente, mas no fundinho, tinha um coração mole.

Enfim, quem quiser saber todos os detalhes, vai ter que ler. O Nelson Motta é incrível. O jeito de sua escrita é cativante, quando começa a ler, não quer mais parar. O cara é sensacional. É uma pena que Tim não tenha vivido para ler essa biografia de seu velho amigo. Ele teria adorado umas partes e teria mandando  Motta à merda em outras. 

O livro foi lido do dia 26/05 ao dia 31/05/2012 e tem 385 páginas.

"Minha filha ganhou um gatinho e contei a Tim que ela ia dar o seu nome ao bicho. Ele adorou: "Já sei, porque é preto, gordo e cafajeste!" O gato era cinzento, magrinho e carinhoso, e só nos deu amor e alegria." - Nelson Motta

sábado, 26 de maio de 2012

Mayada - Filha do Iraque


De todos os livros que li até agora, esse é com certeza o mais difícil de escrever sobre.  Mayada é uma iraquiana de uma família nobre. Seu avô foi um dos mais influentes nacionalistas árabes, e foi por conta da influência dele que ela conheceu Saddam Hussein. Mayada, em sua juventude, sempre andou entre a realeza, era estudada e trabalhava como jornalista. Casou-se e teve dois filhos. Em 1979, quando Saddam subiu ao poder, Mayada já estava divorciada e após as terríveis guerras no Iraque, ela teve que sustentar precariamente os filhos com o que ganhava em uma pequena gráfica.

Em 1999, Mayada foi presa, sem saber o porque disso. Foi levada para Baladiyat, quartel-general da polícia secreta iraquiana. Lá descobriu que estava sendo acusada de imprimir folhetos contra o governo. Mayada é coloca na cela 52, com mais 17 mulheres de diversas origens. As mulheres-sombras, como Mayada as chamava, se encantam pelas histórias dela. 

Todos os dias várias mulheres da cela eram levadas para tortura. E durante esses relatos, tive que parar diversas vezes para me recompor, as lágrimas vinham com força. Mayada foi torturada apenas uma única vez durante o mês que ficou presa.  No primeiro dia na prisão, ela foi levada para a parte hospitalar da prisão porque sentia fortes dores no peito. Ao perceber que o médico tinha sido afável com ela, pediu-o que ligasse para sua mãe e a informasse sobre seu paradeiro.

Um mês depois Mayada foi solta. Voltou para os filhos e fugiu para a Jordânia. Em 15 de abril de 2003, integrantes da coalizão declararam o fim da guerra  no Iraque,  e foi quando ela decidiu contar sua história.

É um livro profundamente triste. Saber que várias gerações de iraquianos sofreram com o governo é chocante demais. Com certeza foi o melhor livro que li até agora. A história me deixou realmente comovida.

O livro foi lido do dia 24 ao dia 26/05/2012.  Possui 263 páginas.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cheio de Charme


Eu nem sei por onde começar a escrever sobre esse livro. O maior de todos os livros da Marian é o mais intrigante e cheio de histórias e vidas. Esse resumo abaixo vem na aba do livro:

"Quatro mulheres diferentes. Um homem terrivelmente sedutor. E o segredo sombrio que conecta a todos. Esse é Cheio de Charme, o novo sucesso da autora. O simpático político irlandês Paddy de Courcy, presença constante nos principais tabloides, está de casamento marcado. Com a carreira em ascensão, é chegada a hora de deixar a vida de solteiro para trás e se concentrar somente na política. A estilista Lola tem todos os motivos para chocar-se com a notícia do casamento: apesar de ser a namorada do cara, ela não é, definitivamente, a noiva. Já a jornalista Grace conheceu Paddy há muito tempo, mas por algum motivo não consegue esquecê-lo. Marnie, casada e com filhos, não tira da cabeça o político conquistador, seu amor adolescente. E Alicia, a noiva, fará de tudo para preservar seu reinado. Em Cheio de Charme, a autora apresenta quatro mulheres que guardam cada uma, um segredo envolvendo um importantíssimo político irlandês. O que acontecerá quando elas se encontrarem e descobrirem que todas estão interessadas no mesmo homem?"

Gente, o livro é incrível. Essas quatro mulheres citadas acima tem mais um monte de gente envolvida em suas vidas. O livro é fascinante, de verdade. Chocante. Nauseante.

O livro trata de dois assuntos centrais, que infelizmente não tenho como não comentar na resenha: alcoolismo e violência doméstica. E a autora, como sempre, sabe nos contar cada história com leveza, apesar de que nesse, em especial, eu não tenha sentido tanta leveza assim. É brutal o jeito que ela conta as violências sofridas por algumas mulheres. É estranho não se colocar no lugar delas, vc acaba sentindo o horror.

Paralelo a esses dois assuntos pesados, Marian fala também no livro de travestismo e cross-dressing. Essas eram as partes mais divertidas na narrativa. Um bando de homem de uma cidade pequena se travestiam e se encontravam na casinha pequena que Lola foi viver, para tentar esquecer Paddy.

Enfim, um livro realmente interessante. Continuo a dizer que essa editora no Brasil faz umas capas ridículas, que fazem com que esses livros sejam ligados à fase adolescente. E certamente não é. Não somente.

O livro foi lido do dia 18/05 ao dia 23/05/2012. Tem 784 páginas.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A invenção de Hugo Cabret


Vocês viram o filme?  Eu vi e por isso comprei o livro.  Gente, é lindo!

O livro é a história de Hugo Cabret, um menino de 12 anos, que vive em uma estação de trem em Paris, cuidando dos relógios. Órfão, ele vive solitário no antigo quarto de seu tio, que desapareceu misteriosamente. Antes de morrer, o pai de Hugo mostra pra ele um autômato, um boneco de ferro que pode escrever. Hugo tem certeza que seu pai deixou uma mensagem para ele. Mas para isso, ele precisa consertar o autômato. Ele rouba pequenas peças na loja de brinquedos do velho Georges para conseguir arrumar mais rápido.

Eaí começa toda a história interessante. O dono da loja é Georges Méliès, o precursor do cinema. A história ainda conta com a personagem Isabelle, afilhada de Georges, que aparece para ajudar Hugo a descobrir a mensagem que o autômato tem. O livro é lindo, cheio de ilustrações.


Hugo acaba descobrindo que o boneco de ferro, não escreve, mas desenha. E todo o segredo do livro se desenrola depois dessa descoberta.

Eu recomendo demais!

O livro tem 533 páginas e foi lido do dia  14/05 ao dia 17/05/2012.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Tem alguém aí?






Tem alguém aí? é mais um sucesso da Marian Keyes. Até agora, de todos os que já li dela, esse foi o que mais me emocionou.

Ele conta a história de Anna Walsh, irmã de Claire (Melancia), Maggie (Los Angeles), Rachel (Férias) e Helen, que por sinal é a única que ainda não ganhou um livro só para ela. Anna é como as irmãs, doidinha da silva.
Ela sofre um acidente de carro na cidade onde mora, Nova York e vai para a cidade dos pais, Dublin, para se recuperar. Mas logo Anna quer voltar, para reencontrar o marido, Aidan, que está desaparecido. E retomar seu emprego - o melhor emprego do mundo, segundo sua família - de relações públicas na empresa de cosméticos Candy Grrrl.  

Marian se superou  nesse livro. Todos os outros continham assuntos delicados, que ela sempre tratou da forma mais delicada possível, com esse não poderia ser diferente. Quando descobri o clímax do livro, entristeci de verdade, apesar de gargalhar em outros momentos. A família Walsh aparece muito, com histórias engraçadíssimas. Não posso contar muito mais do que isso, porque senão acabo revelando o "segredo" no qual o livro se sustenta. Então, quem tiver interesse, vai ter que ler. 

Só te adianto que Anna tem vários amigos sensacionais e que um deles pode virar teu melhor amigo.

O livro tem 602 páginas e foi lido do dia 03/05/2012 ao dia 13/05/2012.







sábado, 5 de maio de 2012

Falcão Mulheres e o Tráfico


Nem me lembro quando comprei esse livro. Tenho há muito tempo e sempre ia deixando ele para a próxima. Mas se eu soubesse que era tão bom tinha lido antes.
Falcão mulheres e o tráfico é um complemento do tão comentado "Falcão Meninos do Tráfico", que além do documentário, também é um livro, considerado best-seller no Brasil. O livro eu nunca li, mas o documentário eu acabei assistindo novamente por conta desse livro da resenha.

Pois bem, Falcão mulheres e o tráfico é um livro escrito por Celso Athayde e MV Bill. Eu nem sei em que tipo definir esse livro. Eu colocaria como policial. A primeira vez que tive contato com um livro assim, foi no 1º semestre da faculdade, quando li "Rota 66", do Caco Barcellos. Logo depois, li o outro do Caco, que também fala de favelas, "Abusado: Dono do morro Dona Marta" e do Truman Capote, "A Sangue Frio", todos com temática parecida.

Esse livro conta a história das mulheres, mães, irmãs, namoradas, amigas, que tinham contato com o tráfico, direta ou indiretamente. Mulheres que viam seus filhos, irmãos, namorados morrendo por causa da droga. Meninos de 12, 13 anos, agindo na boca como adultos.
História de mulheres que comandavam as bocas das favelas e que eram respeitadas pelos caras. O livro conta com entrevistas das mulheres, no estilo pergunta e resposta mesmo, contam como é viver nessa vida, sobre o medo, as drogas, e sobre o futuro, que a maioria delas, não acredita haver outro senão o tráfico mesmo. É dele que elas tiram o sustento da família.

O que mais me emocionou foi a entrevista com uma mãe que perdeu o filho há poucos dias quando a entrevista foi feita. O menino tinha 17 anos, e a mãe contando de tudo que ele gostava de fazer, de vestir. Infelizmente, todos sabemos o porque da morte, mas como mãe, ela acreditava na recuperação do filho.

Como o MV Bill mesmo fala no livro, que todos estamos inseridos na vida das favelas. O livro é emocionante, devastador, frustrante, que te faz pensar se há mesmo alguma solução para isso. Uma das entrevistadas diz que se acabar o tráfico, acaba a polícia. E lá no fundo, todos nós concordamos com ela.

Enfim, fazer uma resenha desse livro é extremamente difícil. Eu adoro livros brasileiros. A linguagem usada é aquela com que já estamos acostumados, e no caso desse livro, ela é ainda mais interessante, por ter a linguagem do pessoal do tráfico, que infelizmente, também já estamos familiarizados.

Recomendo a leitura demais. Mas fique preparado para se revoltar e para se emocionar com os relatos.

O livro tem 264 páginas e foi lido do dia 03/05 ao dia 05/05/2012.

“Ou matamos todos os presos ou cuidamos deles, já que eles vão sair e vir para nosso convívio. Pensar assim é ser prático, não tem outra via. Eles virão para o colo da sociedade. A questão agora é decidir que tipo de gente, ou de bicho, queremos que habite nossos colos.” - MV Bill

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Los Angeles


"Em breve estaremos pousando no Aeroporto Internacional de Los Angeles. Por favor certifiquem-se de que o encosto de suas poltronas está na posição vertical, de que você não está nem um quilinho acima do peso e de que seus dentes estão brancos como a neve."

Assim começa Los Angeles, o sexto livro de Marian Keyes, que conta a história de Maggie Walsh, irmã de Claire, de Melancia e da Rachel de Férias
Após o término de um casamento frustrado, que durou nove anos, Maggie decide ir para Los Angeles visitar a melhor amiga, Emily, e decide fazer tudo o que der na telha. Considerada sempre a mais certinha da família, ela surpreende a todos a partir do dia que sai de Dublin e vai pra Hollywood.

Juntamente com Emily, que é roteirista, Maggie  conhece a badalada vida da cidade. Ajuda a amiga a deslanchar o roteiro de um filme que parece desastroso, mas uma produtora acaba comprando-o, mesmo modificando a maior parte dele. Além disso, conhece amigos e amigas de Emily e o envolvimento não poderia ser outro, afinal é uma mulher recém separada e ávida por aventuras.
Para piorar a situação, surge em seu caminho Shay, um amor de adolescência que faz com que seu passado sofrido transborde diante de seus olhos.

Com muitos personagens peculiares, Marian Keyes te mostra que aquele seu vizinho que você sempre achou que tinha sérios problemas, realmente os tinha. Muito divertido e envolvente. Gostei demais!

" - Não há estrelas hoje à noite - disse eu, em voz alta. 
Mas as estrelas estão sempre lá, mesmo durante o dia. Nós é que simplesmente não conseguimos vê-las."

O livro tem 484 páginas e foi lido do dia 25/04/2012 ao dia 02/05/2012.